27 de novembro de 2020

Opositor russo Alexei Navalny recebe alta de hospital de Berlim

O líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, recebeu alta nesta terça-feira 22. Ele estava recebendo tratamento desde 22 de agosto no hospital universitário de La Charité, em Berlim, por envenenamento com um agente nervoso do grupo Novichok.

“O estado de saúde do paciente melhorou a tal ponto que o tratamento médico de emergência foi concluído”, disse o hospital em nota divulgada nesta quarta-feira, 23, indicando que Navalny teve alta ontem. Os médicos que tratam do líder da oposição estão otimistas quanto à sua recuperação total “devido à evolução e ao estado atual do paciente”.

No entanto, o comunicado dizia que apenas a evolução subsequente permitirá determinar as possíveis consequências a longo prazo da grave intoxicação. O hospital indica que Navalny recebeu tratamento no local por 32 dias, ficando 24 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O opositor havia sido transferido para o Charité, vindo de um hospital na cidade de Omsk, na Sibéria, onde estava internado após desmaiar durante um voo. Ele acordou do coma induzido no último dia 7 e uma semana depois entrou pela primeira vez nas redes sociais publicando uma foto de seu quarto do hospital, acompanhado de sua família e com uma mensagem informando sobre sua evolução.

Nesta quarta-feira ele publicou uma imagem no Instagram em que aparece sentado em um banco, bem mais magro. Em outra mensagem, ele anunciou que deve passar por uma longa recuperação antes de retomar uma vida normal. Afirmou que precisa fazer muitos exercícios para “aguentar em uma perna. Recuperar o controle total dos meus dedos. Manter o equilíbrio”.

“Alexei Navalny ficará no momento na Alemanha, o tratamento ainda não acabou”, afirmou em um vídeo postado no Twitter sua porta-voz, Kira Iarmych. No comunicado, os médicos explicam que não é possível saber com certeza as sequelas que Navalny terá a “longo prazo”, devido ao provável envenenamento.

O governo alemão confirmou no início de setembro que Navalny havia sido envenenado com um agente nervoso do grupo Novichok. O resultado do laboratório de farmacologia e toxicologia do exército alemão foi corroborado por laboratórios na França e Suécia.

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“Meu plano ousado era morrer”

As relações entre a Rússia e os países ocidentais, especialmente com a Alemanha, foram afetadas pela questão Navalny. Moscou recebeu exigências de explicações sobre o ocorrido e autoridades europeias mencionaram a possibilidade de considerar “todo tipo de sanções”, em caso contrário.

A equipe de Navalny afirma que foram encontrados vestígios de Novichok em uma garrafa retirada de seu quarto de hotel na Sibéria, onde estava para participar da campanha de apoio aos candidatos de oposição nas eleições locais. Há algumas semanas, durante uma conversa com o colega francês Emmanuel Macron, o presidente russo, Vladimir Putin, descreveu o líder opositor com desprezo, informou o jornal Le Monde.

Putin afirmou que Navalny já havia inventado problemas de saúde no passado e cometeu atos ilegais. Ele também justificou a ausência de uma investigação oficial na Rússia sobre o ocorrido, porque as autoridades de Berlim e Paris não enviaram a Moscou as análises efetuadas em seus laboratórios.

O chefe de Estado russo também mencionou outras possíveis pistas, como a participação da Letônia, país onde reside o inventor do Novichok, e sugeriu, inclusive, que Navalny poderia ter ingerido o veneno por conta própria por uma razão desconhecida.

O líder opositor, que denuncia há vários anos a suposta corrupção das elites russas, comentou as acusações de Putin em sua conta na rede social Instagram. “Cozinhei o Novichok na cozinha, ingeri e entrei em coma. Meu plano ousado era morrer em um hospital de Omsk (Sibéria), onde no necrotério a necropsia teria concluído: ‘Causa da morte: já viveu bastante’ (…) Mas não consegui o que queria, minha provocação falhou”, ironizou.

Na segunda-feira, Navalny reiterou que o Novichok foi detectado em seu organismo e sobre seu corpo. Ele pediu a Moscou que devolvesse as roupas que usava no dia do envenenamento, porque representam uma “prova vital”.

(Com EFE e AFP)

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