24 de novembro de 2020

Protesto violento marca primeiro ano de revolta social no Chile

Milhares de manifestantes se reuniram no domingo 18 nos entornos da Praça Itália, no centro de Santiago, para comemorar o primeiro aniversário dos grandes protestos do ano passado contra a desigualdade no Chile. A noite, no entanto, foi marcada pelo incêndio da Igreja de Assunção e por confrontos com a polícia, que resultaram na prisão de cerca de 600 pessoas.

“Queimar igrejas é uma expressão de brutalidade”, afirmou o ministro do Interior e Segurança, Víctor Pérez, ao destacar que durante o dia a polícia protegeu as estações de metrô de Santiago, os ônibus do transporte público e outros alvos dos violentos ataques do ano passado.

Vista aérea de manifestação na Praça Itália, Santiago. 18/10/2020Martin Bernetti/AFP

O ministro afirmou que “grupos minoritários” dentro da manifestação foram responsáveis pelos atos de violência.

A estrutura foi atacada por manifestantes encapuzados no momento em que várias horas de manifestação pacífica ocorreram ao redor da Praça Itália que comemorava o início dos protestos de 18 de outubro de 2019.

Antes, bem próximo ao local onde ocorreu o incêndio, uma igreja popular entre policiais foi saqueada e incendiada, mas os bombeiros conseguiram apagar as chamas antes que elas causassem maiores danos.

Continua após a publicidade

O subsecretário do Interior, Juan Francisco Galli, disse que houve “uma distinção muito clara sobre como evoluiu o dia”, que teve por um lado uma manifestação pacífica e por outro graves atos de violência.

Manifestantes tentam incendiar veículo da tropa de choque da polícia, em Santiago. 18/10/2020Martin Bernetti/AFP

Durante o dia também ocorreram incidentes em outros bairros de Santiago e em outras cidades do país, que resultaram em um total de 580 detidos, 287 deles na região metropolitana. Já à noite, houve saques e tentativas de saque; barricadas e ataques a quartéis da polícia, com um total de 107 incidentes graves em todo o país, segundo Galli.

Desde cedo, os manifestantes – na maioria jovens, mas também famílias e idosos – compareceram à Praça Itália, rebatizada pelos manifestantes como “Praça da Dignidade”, para comemorar o dia em que “o Chile acordou”, como afirmam os manifestantes, mas também para se reunir novamente em um grande protesto após meses de pausa devido à pandemia.

O domo da igreja de Assunção em Santiago, Chile, cai após ter sido incendiada por manifestantes – 18/10/2020CLAUDIO REYES/AFP

Os protestos de 2019 pediam uma nova Constituição, especialmente no que diz respeito a benefícios sociais. A Carta atual é herança do período ditatorial do país, que foi comandado pelo general Augusto Pinochet (1973-1990). Como resultado das manifestações, o governo decidiu aplicar um plebiscito sobre a abertura de uma constituinte, que será votado no dia 25 de outubro.

A manifestação de domingo aconteceu uma semana antes do plebiscito em que os chilenos vão decidir se mudam ou não a Constituição que permanece como herança da ditadura.

Várias pesquisas apontam que a opção de aprovar a mudança constitucional poderá vencer com mais de 60% dos votos, após um ano em que a demanda por maior bem-estar social tem um apoio transversal na sociedade, além de uma forte condenação à violência nas ruas.

Continua após a publicidade

Fale Conosco
Mande um WhatsApp