2 de dezembro de 2020

Milhões podem não voltar às escolas na América Latina e no Caribe

Crianças tiveram de sair da escola devido à pandemia e ainda não têm data de retorno

Crianças tiveram de sair da escola devido à pandemia e ainda não têm data de retorno
Volpe/ UNI328540/UNICEF

Quase 3 milhões de crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe correm o risco de nunca mais voltarem às escolas, conforme indica relatório apresentado nesta segunda-feira (9) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

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O estudo “Educação em Pausa” mostra que 137 milhões de crianças e adolescentes da região, há quase oito meses, não tem aulas presenciais, em um dos muitos efeitos negativos da pandemia da covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

De acordo com o texto, o tempo quatro vezes maior que a média global, o que poderia levar a uma “catástrofe” para esta geração na região.

Desigualdade no acesso

O relatório confirma que o novo coronavírus ampliou as diferenças sociais também no setor da educação. Na América Latina e Caribe, apenas metade dos alunos das escolas públicas tem acesso a aulas à distância de qualidade, enquanto nas escolas particulares esse número sobe para 75%, estima o Unicef.

A desigualdade é maior em grupos vulneráveis, como crianças com deficiências, migrantes, indígenas, e em áreas rurais, aonde a educação por meios remotos não chega, destacou o estudo.

Além disso, o relatório indica que o percentual de menores de idade que não estudam, presencial ou a distância, saltou de 4% para 18% nos últimos meses.

Impacto prolongado

“Se não houver processos de nivelamento realmente adequados, essas crianças terão uma lacuna durante toda a vida”, explicou à Agência Efe a especialista em educação do Escritório Regional do Unicef para a América Latina e o Caribe, Ruth Custode.

De acordo com a fonte, entre outras consequências, está a obtenção de salários piores por uma parcela da população no futuro.

Além do fechamento de escolas atrasar a educação para algumas famílias, também significa a perda “de uma enorme quantidade de serviços, como saúde, apoio psicossocial e proteção” para as crianças que ficam sem aulas, que ficaram, ainda, mais vulneráveis à violência doméstica, de acordo com Custide.

Pelo menos 80 milhões de crianças e adolescentes na América Latina que ficaram sem as refeições fornecidas nas escolas, correm o risco de desenvolver deficiências nutricionais.

Agente de saúde desinfeta escola na América Latina

Agente de saúde desinfeta escola na América Latina
Dormino/UNI99355/UNICEF
Reabertura é prioridade

Enquanto muitas escolas na África, na Ásia e na Europa estão reabrindo gradualmente, em 18 dos 36 países e territórios da América Latina e do Caribe, onde já foram registrados 11 milhões de casos de covid-19, as portas continuam fechadas devido à doença.

Embora uma em cada seis escolas não tenha acesso a água, o Unicef pediu que os governos acelerem a abertura segura das desses centros de ensino, e que melhorem a infraestrutura.

Diante da suspensão maciça dos serviços educacionais, o Fundo das Nações Unidas para a Infância contribuiu para que 42 milhões de alunos da região pudessem ter acesso ao ensino à distância através de rádio, televisão, internet e outras plataformas.

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