Relembre os principais fatos da relação entre EUA e China em 2020

ByMax Blanc

dez 26, 2020

Poucos países podem afirmar que terminaram 2020 com uma relação tão conturbada quanto China e EUA. Desde o começo do ano, os dois travaram disputas comerciais, bloqueios de aplicativos, trocas de farpas por conta da pandemia e ameaças

Travando uma briga comercial desde 2018, EUA e China finalmente chegaram a um acordo em janeiro, com uma queda nos investimentos chineses nos EUA e uma taxa altíssima que barra a entrada de produtos do gigante asiático em solo americano

O que parecia o começo de uma relação amigável e cordial em janeiro, acabou no primeiro trimestre. Em janeiro, a China alertou o mundo sobre o perigo do novo coronavírus, que pode ter aparecido em um mercado de Wuhan. Os EUA não ouviram o alerta e a pandemia chegou desoladora no país

Atualmente, os EUA são o país com o maior número de casos e mortes por covid-19 no mundo. Desde que o vírus chegou por lá em março, o país se dividiu entre regiões que tomaram medidas de proteção contra a doença e os negacionistas. Por meses, Trump jogou no segundo time, não decretou uma quarentena nacional e minimizava a pandemia

Mais de uma vez, Trump e o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, chamaram o coronavírus de “vírus chinês” e jogaram a culpa na China pela pandemia ter se espalhado pelo mundo. Além de criticar o país asiático, Trump também atacou a OMS, que dizia ser um “fantoche chinês” e deixou de financiar a organização em retaliação

Pompeo chegou a alegar que o coronavírus foi produzido em um laboratório chinês e disse que os EUA tinham provas. Porém, elas nunca foram divulgadas e ainda é incerta a origem do vírus

Em outubro, Trump e a primeira-dama, Melania Trump, anunciaram que estavam com covid-19. Além deles, outras figuras importantes do círculo do governo também ficaram doentes, incluindo o advogado do presidente, Rudy Giuliani

Com a escalada de tensão entre as nações, os EUA fecharam o consulado chinês em Houston, no Texas, como uma ação para proteger a propriedade intelectual e informações privadas do país. A China negou que tivesse roubado qualquer informação americana

Como represália, o governo chinês fechou o consulado americano na cidade de Chengdu. Na ocasião, dezenas de curiosos foram à porta do local para tirar fotos e assistir a saída dos americanos

Com a tolerância baixa para produtos vindos da China, Trump também quis banir o popular aplicativo TikTok do país. Na aplicação, usuários podem fazer vídeos curtos, de até 1 minuto, e se tornou febre entre os jovens durante o isolamento

Uma condição para o TikTok continuar funcionando no país seria ser comprado por alguma empresa de tecnologia americana. Com isso, começou-se uma disputa entre gigantes da internet e de outros ramos. No fim, a Oracle e o Walmart ganharam a briga e vão controlar o aplicativo no país

Com as eleições americanas em novembro, a China esperou até ter a confirmação do vencedor do pleito para parabenizá-lo. Trump foi derrotado pelo democrata Joe Biden, que assume o cargo em janeiro, mas especialistas acreditam que a postura do novo presidente com o gigante asiático deve ser de cautela e cuidado, ainda que com uma retórica menos agressiva