Resenha: Einstein, sua vida, seu universo – Parte 2: vida pessoal, 11 curiosidades e conclusão

Essa é a segunda parte da resenha sobre a vida do genial (literalmente falando….rs) Albert Einstein.

A primeira parte pode ser lida aqui.

Nessa parte, exploraremos a vida pessoal de Einstein, listaremos 11 curiosidades, e faremos a conclusão final.

Acompanhem!

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A vida pessoal

Einstein, assim como Buffett e Jobs, não teve uma vida familiar bem estruturada.

O gênio, de origem alemã, mas que também tinha nacionalidade suíça e depois adquiriu a nacionalidade norte-americana, engravidou a mulher que viria a ser sua primeira esposa antes do casamento com ela, mas ambos não contaram esse fato a ninguém.

Tal fato esse que só veio a ser descoberto depois da morte de ambos. Teve um casamento infeliz com essa mulher, que conheceu na faculdade, e acabaram se separando e, depois, se divorciando.

O relacionamento com os 2 filhos que teve com ela também não era dos melhores. Um deles foi aos Estados Unidos, onde estabeleceu residência, assim como Einstein, o qual chegou aos EUA em meados dos anos 30, visando fugir da Alemanha nazista de Hitler. Outro filho de Einstein acabou morrendo num sanatório na Suíça, vítima de problemas mentais.

Ainda na Europa, Einstein se casou com sua prima, e ambos foram juntos aos Estados Unidos.

E tanto na Europa quanto nos Estados Unidos Einstein manteve diversos relacionamentos extraconjugais.

O comportamento frio que às vezes mantinha com seus familiares, porém, não contaminava os relacionamentos sociais de Einstein. Ao contrário do que se suporia, ele tinha um círculo de amizades bastante profundo e seleto, com amigos cuja amizade duraria mais de 5 décadas.

Além disso, e contrastando com outra suposição – a de que, por ser cientista e super inteligente, ele seria antissocial – Einstein gostava de frequentar cafés e bares com seus amigos, principalmente quando era mais jovem, conversando até altas horas da madrugada sobre filosofia, física e ciências em geral.

A fama adquirida em virtude de suas descobertas no ramo da física lhe rendeu incrível popularidade, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos e, apesar de incomodado com esse fato, ele se divertia com o status de celebridade pop. Mais do que isso: aproveitaria muito bem esse fato para exercer influência como pensador, manifestando opiniões sobre temas políticos caros ao seu sistema de valores.

Einstein exerceu um tal fascínio sobre as massas populares que, depois dele, nenhum outro cientista conseguiu alcançar o mesmo nível de popularidade. Mais uma prova de sua singularidade.

11 curiosidades

A vida de Einstein é recheada de mitos, folclore e alguns fatos inusitados. Dessa coletânea de curiosidades, destaco as seguintes.

1. É falsa a lenda de que ele teria sido reprovado em matemática. É verdade que ele não ia bem em todas as matérias, chegando inclusive a se formar na faculdade de Física com uma das piores médias de sua turma. Mas ele jamais foi reprovado na matemática.

2. Einstein chegou a ser apátrida durante alguns anos em sua juventude.

3. Apesar de pertencer a uma família judaica, Einstein não era um judeu praticante. Ele acreditava num Deus que regia e criava as coisas no universo. Einstein era determinista,e passou a ter uma ligação mais forte com suas raízes religiosas principalmente depois que Hitler começou os abomináveis ataques aos judeus na Alemanha. Einstein chegou a ser convidado para ser presidente de Israel assim que esse Estado foi criado, mas, obviamente, recusou, já que reconhecia que não tinha habilidades políticas.

4. Ele ganhou o Prêmio Nobel não por sua teoria da relatividade geral, mas sim pela teoria do efeito fotoelétrico. As razões desse pitoresco fato estão muito bem detalhadas no livro, Aliás, sobre o Prêmio Nobel, que já era popular àquela época, Einstein tinha certeza de que um dia iria ganhá-lo.

5. Em meados dos anos 10, como uma maneira de pressionar Mileva Maric (a mulher de seu primeiro casamento) a assinar o divórcio (e, assim, se casar oficialmente com a prima dele), Einstein lhe prometeu doar todo o dinheiro do prêmio Nobel (que, como mencionado acima, Einstein tinha certeza de que iria ganhar). Mileva cedeu e, com parte do prêmio, conseguiu comprar 3 casas na Suíça, para viver de renda de aluguel.

6. Einstein nunca deu bola pra questões financeiras. Criticava o modo “burguês” de se viver, ficava incomodado com a ostentação e demonstrações de riqueza da sociedade de sua época, e muitas vezes preferia viajar na terceira classe dos trens e navios do que na primeira classe.

7. A sua fama como cientista da teoria da relatividade lhe permitiu ter acesso fácil e travar contatos com algumas das maiores personalidades do século XX contemporâneas a ele, tais como Charles Chaplin, Franklink Roosevelt, Winston Churchill, Sigmund Freud, Bertrand Russell, dentre outros.

8. Em decorrência dessa fama também, e já morando nos EUA, ele tinha livre acesso ao New York Times. Quando ele tinha ideia de escrever algo que considerava importante, seja no campo científico, seja no campo político, os jornais publicavam com o maior prazer, pois eles (jornais) sabiam que isso iria vender jornais nas bancas, e dar audiência.

9. Se vivesse nos dias atuais, certamente Einstein seria um rei das mídias sociais, e os exploraria ao máximo a seu favor – infelizmente não temos hoje um cientista à altura dele, ainda mais físico teórico, com tanta exposição na Internet. Quando sua teoria da descoberta da relatividade geral foi enfim publicada, isso alcançou repercussão mundial. Uma loja de departamentos publicou as mais de 30 equações matemáticas em dezenas de páginas impressas, e as colou na vitrine assim que saiu a notícia. O povo correu e ficou ensandecido nessa vitrine, tentando decifrar o que aquilo tudo significava. Insano!

10. Einstein veio para o Brasil certa vez, mas esse episódio não consta do livro.

11. Einstein nunca dirigiu um carro, gostava de tocar violino e de fumar charuto, e não usava meias.

Conclusão

Se eu pudesse sintetizar numa só palavra o significado dessa biografia, eu usaria a palavra desconcertante.

A vida pessoal e profissional de Albert Einstein é recheada de episódios divertidos, pitorescos, engraçados, mas também recheada de episódios dramáticos, singulares e únicos – como tem que ser com qualquer ser humano notável que fez a Humanidade dar um salto importantíssimo pra frente.

Comparando esse biografia com a de Warren Buffett e a de Steve Jobs, por exemplo, dá pra afirmar, na minha opinião, que a de Buffett tem um conteúdo mais de entretenimento, ao passo que a de Einstein tem um conteúdo mais reflexivo.

A biografia de Einstein é um verdadeiro convite à reflexão: se Einstein vivesse até os dias atuais, ele não daria a mínima para os aspectos financeiros, comerciais, de negócios etc. que regem a vida de muitas pessoas no mundo inteiro. Einstein se ocupava de coisas mais transcendentais, de coisas que pudessem, na feliz expressão de Steve Jobs, deixar sua “marca no universo”.

Einstein dava a impressão de ser um cientista solitário (o que não deixa de ser verdade, pois ele gostava de gastar tempo pensando sozinho), mas era profundamente ligado a questões humanitárias, especialmente quando passou a defender, especialmente a partir de sua mudança para os Estados Unidos, a luta pela liberdade de expressão e apoiar os movimentos sociais pela redução das desigualdades econômicas.

Trata-se de uma das melhores biografias que já li e, apesar de eu continuar não entendendo quase nada da teoria da relatividade…..rsrs, dou muitos créditos ao autor Walter Isaacson por ter captado a essência da figura carismática de Einstein, e de como esse personagem foi sendo construído ao longo de seus 76 anos de existência indispensável para que a Humanidade pudesse evoluir.

Descobrir e traduzir para a linguagem humana as leis que regem o universo não deixa de ser uma forma de ler e revelar os pensamentos de Deus. Essa é uma tarefa extraordinária, só atribuível a pessoas dotadas poderes mentais fora do comum. Albert Einstein foi, sem dúvida, uma dessas mentes fabulosas que passaram por essa vida.

A melhor definição de Einstein está no último parágrafo do livro, e nada melhor do que encerrar essa resenha com o desfecho do próprio sujeito resenhado:

“Ele era um solitário que tinha uma ligação íntima com a humanidade, um rebelde cheio de reverência. E assim foi que um funcionário de escritório de patentes, imaginativo e insolente, tornou-se capaz de ler os pensamentos do criador do cosmos e de conceber a chave dos mistérios do átomo e do universo”.

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