EUA recolocam Cuba como país ‘patrocinador do terrorismo’

ByMax Blanc

jan 11, 2021
Pompeo acusou Cuba de 'patrocinar terrorismo'

Pompeo acusou Cuba de ‘patrocinar terrorismo’

Menahem Kahana / Pool via EFE – EPA – Arquivo

O governo dos Estados Unidos, ainda sob a presidência Donald Trump, voltou a colocar Cuba em sua lista de patrocinadores do terrorismo, da qual o país havia sido retirado em 2015 durante o segundo mandato de Barack Obama durante o processo de “degelo” na relação bilateral.

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Nove dias antes de Trump deixar a Casa Branca, o secretário de Estado, Mike Pompeo, anunciou uma decisão que pode complicar as chances de o presidente eleito, Joe Biden, retomar rapidamente a aproximação com Havana.

“Com esta ação, vamos mais uma vez responsabilizar o governo cubano e enviar uma mensagem clara: o regime dos Castro deve acabar com seu apoio ao terrorismo internacional e à subversão da justiça americana”, disse Pompeo em comunicado.

O chefe da diplomacia americana justificou o retorno do país caribenho à lista “por apoiar repetidamente atos de terrorismo internacional, fornecendo abrigo seguro aos terroristas”.

Especificamente, o secretário de Estado citou a recusa de Havana em extraditar 10 líderes da guerrilha colombiana Exército de Libertação Nacional (ELN) que viajaram a Cuba para participarem de negociações com o governo da Colômbia e são buscados pela Justiça do país sul-americano porque a organização reivindicou a responsabilidade por um ataque a uma escola de polícia em Bogotá, que causou 22 mortes e deixou mais de 87 feridos.

Mais bloqueios

A inclusão de um país na lista negra do terrorismo implica obstáculos ao comércio e mais sanções, mas todas essas restrições já pesam sobre Cuba devido ao embargo comercial e financeiro americano.

Desta forma, a medida de hoje visa sancionar “pessoas e países que se envolvem em algum tipo de comércio com Cuba, restringir a ajuda externa dos EUA, proibir as exportações e vendas de defesa e impor certos controles às exportações de produtos de dupla utilização”, em um momento de profunda crise econômica para os cubanos.

Após sua chegada ao poder, Trump colocou freios no processo de normalização das relações com a ilha, iniciado em 2014 por Obama, de quem Biden era vice-presidente.

Em 30 de novembro, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, denunciou uma manobra dos EUA para devolver Cuba à lista de países patrocinadores do terrorismo, o que ele alegou que tinha o objetivo de “agradar a minoria anticubana na Flórida”.

Em maio do ano passado, os EUA deram um passo nessa direção com a inclusão de Cuba em sua lista de países que “não cooperam plenamente” com os esforços antiterroristas, que também conta com Venezuela, Irã, Coreia do Norte e Síria.

O governo cubano então respondeu que seu país é “vítima” de terrorismo com cumplicidade dos EUA, em referência aos vários ataques (desde sequestro de aeronaves até planos de assassinato de líderes) atribuídos a grupos anticastristas nas últimas seis décadas, principalmente durante a Guerra Fria.

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